quinta-feira, 16 de julho de 2020

ANOUSHBARD - Mithra

Ano: 2020
Tipo: Full Length
Selo: Independente

















Tracklist:

1. Gates of Ctesiphon
2. Life Lady (Green Temple)
3. The Ward  
4. Inevitable Death
5. Haoma (instrumental)
6. The Man Who Rides Through the Fire


Banda:


Sherwin Baradaran - Guitarras, Vocais
Siavash Motalebi - Guitarras


Contatos:

Assessoria: https://www.emmusicmanagement.com/ (EM Music Management)

Texto: Marcos Garcia


Introdução:

O mundo do Metal sempre tem alguma coisa para surpreender os fãs, não importa quanto tempo alguém possa estar dentro dele. Sempre alguma banda ou forma de se fazer o gênero irá causar surpresa.

E verdade seja dita: o trabalho do grupo ANOUSHBARD, do Irã (isso mesmo, do Irã) é realmente surpreendente, pois “Mithra” vem agregar novos elementos ao Metal, de uma expressividade incrível.


Análise geral:

Basicamente, poderia se classificar o trabalho do grupo como Ethnic Progressive Death Metal, já que no meio de sua música brutal e bem trabalhada, estão elementos musicais de seu país natal nas melodias. Sim, é o que está claro na música do grupo: fortes e envolventes melodias bem feitas, que fazem com músicas longas pareçam durar muito pouco.

Além disso, o grupo consegue ter uma dinâmica de arranjos ótima, e buscam influências pontuais em outros gêneros de Metal (há algo de Black Metal grego aqui, uns toques de Thrash Metal em um ou outro riff de guitarra), e assim, se distanciam um pouco de seus pares europeus e americanos. É um ‘insight’ novo e criativo, que acaba trazendo algo inovador e original a um cenário desgastado.

Se é bom? É ouvir e gostar!


Qualidade Sonora:

Siavash Motalebi e Sherwin Baradaran produziram, gravaram e mixaram tudo em seu próprio Home Studio em Teerã entre 2017 e 2019.

Pode ser que por conta de alguns timbres que poderiam ser melhores (especialmente durante os riffs de guitarra) não esteja 100%, mas essa sonoridade limpa e bem feita (onde o ouvinte pode compreender tudo claramente), com os instrumentos em seu devido lugar, funciona muito bem. Aliás, agressividade não falta.


Arte gráfica/capa:

O grupo preferiu uma arte mais simples e direta, uma foto de um local que, aparentemente, faz referência ao nome do grupo, que vem de uma antiga prisão política no Império Sasaniano (224 - 651  d.C.), um lugar onde os prisioneiros perdiam sua identidade e desapareceriam para nunca mais serem vistos.

Dessa forma, fica evidente que toda a expressão cultural das letras do grupo faz referência à história de seu povo e suas raízes persas.


Destaques musicais:

Bem, lidar com algo diferente do usual sempre exige de qualquer escritor que se preze, mas mesmo assim, “Mithra” é um disco fácil de ser assimilado. Suas seis faixas possuem um ‘appeal’ marcante e bem próprio, que hipnotiza o ouvinte.

“Gates of Ctesiphon”: O disco abre com uma canção que transcende os 10 minutos de duração, em uma exibição de agressividade crua temperada por melodias étnicas, com mudanças de ritmo e arranjos de guitarra não muito usuais (as partes limpas são de uma riqueza incrível em termos de arranjos de cordas).

“Life Lady (Green Temple)”: Outra que passa dos 10 minutos de duração, focada quase que totalmente em partes limpas (mas existem momentos agressivos aqui e ali), e vocais limpos muito bons (com partes com duas ou mais vozes, inclusive femininas, quebrando assim as concepções sobre o uso de gutural constante), com partes étnicas/épicas de primeira. O trabalho de baixo é ótimo, e a bateria mostra força em vários pontos.

“The Ward”: Claramente influenciada por bandas como ENSLAVED e ARCTURUS, os contrastes de momentos agressivos e outros limpos é realmente uma delícia de se ouvir. E alguns vocais limpos, usados nas partes distorcidas, ficaram muito bom.

“Inevitable Death”: O início é com o uso de partes percussivas do oriente, mas logo surge uma canção agressiva, focada no Technical Death Metal. Embora o andamento não privilegie uma velocidade estonteante, a canção é marcante por conta das guitarras em riffs abrasivos e solos técnicos.

“Haoma”: E eis uma faixa instrumental para mostrar toda a versatilidade musical do grupo. A expressividade das partes limpas com toques de teclados cria ambientações climáticas interessantes, contrastando com momentos mais rápidos cheios de melodias étnicas.

“The Man Who Rides Through the Fire”: a agressividade ardente em seu andamento mais cadenciado (onde o baixo mostra sua força e técnica) contrasta com partes limpas incríveis. Mas as partes mais agressivas são ótimas.

Realmente, esse disco é daqueles que faz o ouvinte se levantar e aplaudir.


Conclusão:

“Mithra” vem para colocar o nome do ANOUSHBARD no cenário, mostrar que o Irã tem bandas de Metal de alto nível, e que a banda nos brinde com mais música brilhante nesses moldes.

Há o que melhorar, óbvio, mas o grupo é realmente apaixonante.


Musicalidade: 9
Composição: 10
Memorabilidade: 9
Produção: 7


Nota: 9,0/10,0


Gates of Ctesiphon



The Man Who Rides Through the Fire



Spotify

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