domingo, 2 de agosto de 2020

UPCOMING: QUILOMBO



Cidade/Estado: São Paulo/SP

Ano do início das atividades: 2018
Discos lançados: “Itankale” (EP) - 2019
Formação atual: Allan Kallid  (guitarra, baixo), Panda Reis (bateria, vocal)





MMR: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda

Panda Reis – A banda começou na real com a ideia de um álbum conceitual que seria para a Oligarquia (outra banda que eu toco), porém devido a problemas com formação e continuidade de ensaios para compor o disco, acabei engavetando a ideia, como a Oligarquia deu uma pausa por conta de assuntos particulares diversos, eu resolvi desengavetar a ideia do disco e transformá-lo em uma banda, mas não queria uma banda nos moldes padrões do que se espera de uma banda, então chamei meu parceiro (que também já tocou na Oligarquia) e montamos o QUILOMBO, com a ideia de falar da cultura, vivência e história de povos excluídos e discriminados no mundo, falo dos afrodescendentes, dos Nativos (índios), dos LGBTQI+, mulheres entre outros, daí começamos a ensaiar e a compor o EP “Itankale” e as ideias foram se materializando durante o processo. Incentivo?? Cara... das coisas que falamos na banda, e o mundo fascista, homofóbico, racista eurocentrista e globalmente excludente como o que vivemos, o que não falta é incentivo, deve-se atentar que não tem iniciante na banda, eu mesmo estou há mais de 30 anos no underground, não preciso mais de incentivos musicais pra me fazer criar e sim de inspirações que não vem mais da música, para criar as minhas músicas. O mundo no século XXI e seus conceitos e pré-conceitos é o maior culpado pela banda existir.


MMR: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Panda Reis – Tocar música underground e extrema por aqui sempre foi á dificuldade, seja isso lá em 1987 quando comecei ou na semana passada, é complicado se manter como banda, falo de ensaios, gravações e ser ativo na banda, pois tudo depende de dinheiro e do humor do mercado, porém no momento, o que mais tem dificultado as coisas, é a Pandemia de Covid-19, nem digo pela impossibilidade de ensaiar e fazer shows, mas pela carga negativa humanista que ela trouxe, pela mudanças de conceitos e pré-conceitos que ela escancarou ao mundo, hoje pra nós a maior dificuldade como banda é ver que muitas bandas e pessoas são mais medíocres do que pareciam, e isso me faz pensar como será depois que isso se acalmar e as coisas voltarem ao “normal”, pois teremos que nos relacionar com um monte de seres que não me agrada mais muito, talvez isso seja o maior problema e dificuldade daqui pra frente, suportar algumas pessoas e debates rasteiros demais.


MMR: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Panda Reis – Como eu disse mano, pandemia, nem é hora de pensar em tocar... antes dela as coisas estavam indo na normalidade, aqui em São Paulo tem (ou tinha) muitos lugares para se tocar pra uma banda underground, as minhas outras bandas tocavam constantemente pela capital e interior sem problemas, com o Quilombo não tenho ideia de se apresentar ao vivo (fizemos isso apenas uma vez e ainda com a abertura de uma banda de Rap) , nosso foco é outro. A estrutura é underground, que você conhece bem, porém é notório que tudo estava melhor do que há dez, vinte ou trinta anos atrás, como vai ser daqui para a frente eu não sei? Tem muitas casas e estúdios fechando suas portas por conta da pandemia, o underground será diferente daqui pra frente, assim como o mundo e as relações humanas.


MMR: Hoje em dia, muitos gostam de declarar que “o Rock Morreu”, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Panda Reis – Cara, as pessoas morrem, mas não sua arte saca? Sempre poderemos ouvir a arte desses grandes nomes, mas eles são humanos e mortais, natural que os primórdios estejam partindo, faz parte da lógica da vida, mas daí declarar a morte de um estilo é um erro, talvez eles queiram dizer que o estilo não esta mais no topo das paradas, vendendo milhões ou lotando arenas e estádios, isso concordo, mas também vejo como um ciclo natural das coisas, porém o underground sempre foi a verdadeira casa do rock, lá ele tá fervilhando como sempre.



Capa de “Itankale”


MMR: Em tempos do uso das mídias digitais, qual seria a melhor estratégia para atrair a atenção dos fãs?

Panda Reis – Não gosto desse termo “fãs”, mas entendo o que quis dizer... acho que a ideia da gente nunca foi atrair ninguém, na verdade a gente tem problema com nossa produtora e gravadora pro conta disso, eles querem que a gente faça mais para se evidenciar na cena e a gente vive se auto sabotando (risos), a gente fala pra um tipo de público que não é muito numero na cena, e nunca fizemos questão de atrair idiotas para ouvir nossa música e nossas letras, até porque eles não entenderiam e nossa música não foi feita pra eles, então a gente trabalha de acordo com a ideia que queremos passar sem se preocupar em atrair quem não se atraia pela gente naturalmente. Seguimos divulgando o EP e temos um vídeo pronto que vai ao ar nos próximos dias, mas tudo é feito primeiro para nos agradar , se alguém que se identifique e se sinta atraído pela nossa música, deve entender a nossa postura e propósito que vai além de música, agora idiotas machistas, fascistas, racistas, homofóbicos, misóginos e demais corja, pode ficar longe da nossa arte, ela não é feita pra esse tipo de gente não.


MMR: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Panda Reis – O que seria dar certo?? Pra mim o underground brasileiro, a música brasileira representa exatamente o que somos como país e cultura, não consigo ver o cenário como algo abortado da sociedade e de tudo que ela rodeia, pra mim música é mais que diversão, ela tem um propósito social e cultural a ser atingido e isso já deu certo, caso contrário não teríamos tantas bandas relevantes no nosso cenário, não dá pra sonhar com um cenário rock/metal como o europeu e o norte americano, pois a realidade cultural , social e política deles é bem diferente saca? Estamos no Brasil, na America do Sul, temos nosso cultura e diversidade musical, acredito que sempre nosso cenário será reflexo do que somos como seres humanos. Nosso underground é foda pra caralho, temos ótimas bandas, locais para shows e temos até um público relevante, apenas precisamos olhar pro nosso cenário sem aquele conceito de vira-latas, vá e faça acontecer.


MMR: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Panda Reis – Valeu pela conversa, perdoe-nos por não sermos o que vocês esperavam que fossemos (risos)... queria apenas que todxs possam entender que música é uma representação cultural e artística, e toda representação desses moldes está sim influenciada pelo entorno, pela sociedade e a vida, existem bandas que só estão nessa pela música e diversão , nós não!!!! Agradecemos todo mundo que ouviu nosso EP, todo mundo que entra em contato e segue a banda, espero que entendam nossa mensagem e nossas letras, pois só assim vocês poderão entender a banda. Obrigado pela oportunidade dessa entrevista e espero que todxs tenham consciência, paz e se cuidem, mantenham-se vivos, para quem sabe a gente se trombar em algum buraco no underground nacional!!!!!!


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